segunda-feira, 16 de novembro de 2009

IMAGENS QUE PERMANECEM

De todas as maneiras que há para se guardar a imagem de uma pessoa, a pior é apelar para o computador. Sim, porque que imagens podem ser boas ou ruins. Algumas saem tremidas, outras com pouca luz, algumas perfeitas e outras nem tanto. Há imagens de todos os tipos, e para todos os gostos, e muito espaço para armazená-las quando se tem uma câmera digital em mãos. Talvez as imagens que nos tragam mais alegria sejam exatamente aquelas que o cérebro guarda, mesmo depois de já terem sido deletadas da memória do dispositivo portátil. Um sorriso, uma cara de felicidade, um olhar pensativo, ou apaixonado, aquela paisagem compartilhada: tudo é imagem, e todas são passíveis de ficarem na memória ad eternum.

Foi assim quando perdi o HD do meu notebook: as melhores imagens ficaram guardadinhas no imaginário do meu cérebro. Guardei aquela fotografia que tiramos naquele restaurante, cuja altura me causava mais vertigem que as noites loucas de amor (anos depois me senti feliz em saber que tu também se lembra com carinho não só da foto, mas do momento). Olhava a foto com um carinho tão terno que a cada vez que a via imediatamente teu cheiro vinha acompanhar minhas lembranças remotas. Nunca precisei do registro físico para acessar meu HD interno - bastava me apoderar do conforto do passado para que as imagens, todas elas, ficassem ao alcance dos meus mais puros sentimentos nessa minha mente tão poderosa.

Porém, e apesar de saber que nunca precisaria acessar os arquivos físicos para me lembrar dos bons momentos do passado, senti falta de te olhar mais uma vez. Porque mesmo com toda a minha desenvoltura mental, meus olhos ainda guardam um ceticismo antes detectado apenas em São Thomé: às vezes é preciso "ver para crer". Não que a imagem mental não me traga alegria - pelo contrário - mas ver teu retrato valida a minha desconfiança de que ainda não me tornei uma maluca, daquele tipo que conversa com gente invisível nas ruas e inventa histórias tão lindas quanto um romance de Henry James.

Hoje, ao te indagar sobre tais fotografias daquele passado em comum, uma flecha atingiu meu peito. É claro que sabia do risco de nunca mais reaver tais arquivos, uma vez que a maioria das pessoas opta por jogar o passado no lixo a fim de nunca mais caírem em tentação - não sabia se esse era seu caso. De qualquer forma, e sabendo do risco, não me furtei em perguntar: ainda tens as imagens? A resposta veio como um gosto azedo, talvez um ranço, mas no final teve sabor de pena: não sei, preciso procurá-las. E juro que vi em seus olhos uma tristeza de arrependimento, já que o movimento de descartá-las talvez tivesse sido precipitado - há sempre espaço para mais algumas imagens nos HD's da vida.

Conformada com o destino que tomou os bons momentos que compartilhamos, apenas lamentei o fato de não poder mais emprestar aos meus olhos alguma alegria, mesmo que passageira, quando o momento presente estivesse insuportável - se não servissem para nos presentear com alegrias clandestinas, de que valeriam as lembranças? E de súbito percebi que naquele instante seu olhar me devolvia um pouco daquela esperança que me acompanhou quando perguntei pelas tais fotografias: não, calma... ainda não sei se as joguei fora. Pode ser que não. Tenho uma pasta no meu computador chamada "Outras Imagens", vou vasculhá-la e te falo se tais imagens ainda existem.

De todas as maneiras que há para se guardar a imagem de uma pessoa, a pior é apelar para o computador: muitas pessoas podem se perder, algumas serem descartadas e outras ficarem esquecidas, num canto, ou numa pasta intitulada de "Outras Imagens".

AMOR ESCONDIDO

Bruna Caram com cd novo! Feriado Pessoal é nome do álbum...



AMOR ESCONDIDO
Eu tenho um grande amor escondido
No buraco do umbigo, na menina dos meus olhos
Eu trago cá esse amor guardadinho comigo
Esse amor é meu amigo
Nos dias mais solitários
É um amor tão forte, tão vibrante
Nem sei como até agora
Ninguém conseguiu enxergar
Quem sabe se eu mostrar só pouquinho,
Dar a dica do caminho
Alguém possa encontrar
Quem sabe se eu mostrar só pouquinho
Dar a dica do caminho
Alguém possa encontrar
O meu amor

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

NADA EXPLICA O TEMPO... NADA!

SETEMBRO
(Delicatessen Jazz)

Dois mais um não é três
É vinte e um
Um dia lento de setembro
Uma celebração
E tantas luas depois
Tantos dezembros voando
Tantos janeiros girando
Estou em ti aqui

Se tanto tempo já passou
Sonhei tanto que não vi
E se passou foi em silêncio
Não ouvi

Que amor é esse parado no ar
Sempre num tempo presente
Não viaja o mesmo tempo
Dos amores ausentes

Esse amor que vai ficando
Sem perder o tom e o corpo
Sem perder a luz e a cor
Por todos os setembros


p.s.: se existe um Deus, ele está tentando me recompensar em dobro!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ACABE COM ESSA DROGA DE UMA VEZ

"Assisti ao vídeo abaixo umas 10 vezes. Observei as feições da Adriana em todos os momentos. Viajei na música juntamente com a intérprete e, como não poderia deixar de acontecer, pensei em momentos que vivi (ah, essa arte que por vezes imita a vida).

Estamos todos no mesmo barco: anônimos, celebridades, médicos, artistas, desempregados, loucos, sãos, homens, mulheres, gays, heteros, informados e desinformados - somos todos humanos e estamos aqui com, mais ou menos, o mesmo propósito: viver. VIVER. Realizações, sofrimentos, amores, alegrias, decepções, paixões... tudo, tudo o que for relativo à condição de estar vivo estamos sujeitos a passar."



Comecei a escrever esse post ontem mas fui interrompida pelo apagão. E então fui dormir pensando que tinha ainda muita coisa pra escrever, já que me privei de falar tantas outras. Porém, hoje, percebi que perdi a linha do raciocínio... no começo fiquei chateada, mas agora, refletindo melhor sobre a questão, concluo que a vida é assim mesmo: nem sempre dizemos tudo o que precisava ser dito, nem sempre realizamos tudo o que gostaríamos de realizar. Às vezes vamos dormir antes da hora habitual, e corriqueiramente perdemos muitos raciocínios - e não somente por conta de "apagões", mas principalmente por conta dos acontecimentos que fogem ao nosso controle e desviam nossa atenção o tempo todo. O barato de tudo é aceitar os fatos não como uma ironia do destino, mas como uma providência. E sabe por que digo isso? Porque, cá entre nós, se eu tivesse terminado de escrever o post ontem, o desfecho do texto seria dado como a maior idiotice que eu já poderia ter escrito em toda a minha vida.

OBRIGADA, APAGÃO!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO

Meu caso com Robertão é antigo, do tempo em que as músicas ficavam guardadinhas dentro de uma bolacha enorme - mais conhecida como vinil (tenho alguns dele, inclusive). Essa música não é a minha preferida, mas na interpretação da Calcanhotto ela fica ali, pareada, com "Detalhes", "Olha" e "Falando Sério". Bom, vamos ao que interessa - já que agora esse é um blog mais musical do que qualquer outra coisa...

P.S.: reparem nas expressões e na interpretação da cantora. Sem dúvida é a melhor música do DVD "Elas cantam Roberto".



DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO
(Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

Eu, cada vez que vi você chegar,
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido, eu disse nunca mais
Mas, novamente estúpido provei
Desse doce amargo quando eu sei
Cada volta sua o que me faz

Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Vi o meu amor tratado assim
Mas, basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim

Eu, toda vez que vi você voltar,
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que 'sim'
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

Se você me perguntar se ainda é seu
Todo o meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que 'sim'
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MUSIQUINHA



SEU NOME
(Vander Lee)

Quando essa boca disser o seu nome, venha voando
Mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando
Posso enxergar no seu rosto um dia tão claro e luminoso
Quero provar desse gosto ainda tão raro e misterioso do amor...
Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar
Ficar junto de você é como ouvir o som do mar
Se você não vem me amar é maré cheia, amor
Ter você é ver o sol deitado na areia
Quando quiser entrar e encontrar o trinco trancado
Saiba que meu coração é um barraco de zinco todo cuidado
Não traga a tempestade depois que o sol se pôr
Nem venha com piedade porque piedade não é amor

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

MUSIQUINHA



O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA
(Cazuza / João Rebouças / Rogério Meanda)

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver
Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu
O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu
O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa
Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa
Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica
O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu
O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa

terça-feira, 20 de outubro de 2009

TU TOME TENTO COM MEU CORAÇÃO



ALTAR PARTICULAR
(Maria Gadú)
Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular

Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal

E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser

Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor

Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ACREDITAR, ACREDITAR E ACREDITAR

" ...então penso que está certo assim, na nossa sede infinita (Drummond) acreditar e levar porrada mas voltar a acreditar e cair do cavalo e não deixar de acreditar e se desenganar e se arrebentar mas continuar acreditando que, de alguma forma, há alguma resposta de humano para humano. E que amar o humano do outro é aceitar e amar teu próprio humano, e que esse é o único jeito, o único way-out possível: procurar no humano do outro a saída do nosso próprio humano sem solução. (...) E pouco importar que tudo tenha sido ou continue sendo fantasia ou carência, porque é assim que as coisas são, e é através disso - e só disso, venusiano total - que posso crescer, e então quero crescer, e não me importo nem um pouco de voltar e acreditar e de ficar todo aceso e mais delicado para olhar as coisas, qualquer coisa."

(Caio F.)

sábado, 10 de outubro de 2009

CONSTATO

BOCA

.
.
.
.
NUCA
.
.
.
.
MÃO
.
.
.
.

E A TUA MENTE? NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

SEMPRE SE PODE CANTAR

"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo."

Caio F.

A vida acontecendo, o dia correndo, os afazeres se acumulando e eu só sei lhe observar. Será que chora de dor ou de alegria? Será que se distrai com a felicidade ou com a agonia? Não sei, não sei... o que sei é que te observo, e com os olhos brilhantes. Não, não te quero. Já me convenci de que você fica bem mais bonita na minha estante. Um adereço que eu posso usar como inspiração quando a mesma me falta. Sim, eu sei que a vida é boa para ser vivida, mas eu gosto de contá-la aqui, na realidade do papel. Não fosse você, certamente seria outra. E eu continuaria a contemplar o que delicadamente chamo de saudade.

É SÓ MAIS UM BLÁ-BLÁ-BLÁ

E então eu me dou conta de que o que faltou pra mim foi paixão. Paixão ardente, daquelas que a gente quer e não importa se é gula, olho grande, ganância. A gente quer é se lambuzar. A gente quer e ponto. E aí arma escândalo na porta de casa, rasga a camisa porque suspeita de traição, cheira o cangote e descobre um perfume diferente, fica irada com o telefonema clandestino. Mas também, no ápice da lucidez, comete loucuras deliciosamente apaixonadas: um mar de rosas que inunda o apartamento de 50m², um avião para Quixeramobim só pra dizer oi e dar um beijo de bom dia, arranca o outro do convívio social e passa uma semana inteira no quarto, na cama, se alimentando de beijos e carícias e orgasmos múltiplos. Agora amor... amor eu sempre tive. Nunca me queixei de falta de amor. Amei, desamei, amei de novo. Levava a vida crente de que amar era o que bastava, era o final único para o encontro com a felicidade. É claro que existiam ingredientes para que houvesse O Amor (cumplicidade, respeito, carinho...), mas ele, por si só, me resgataria de todo o mal que eu houvesse praticado e me deixaria cara a cara, na boca do gol, em paz com Deus. Já a paixão sempre tentou me pegar pelas pernas, e dela eu sempre fugia. Aquela atitude polida, reta, concreta. Não, veja bem, ciúme é doença, é até uma irracionalidade sem tamanho – eu dizia. E desde quando paixão rima com razão? Ah, quanto desperdício de intelecto. Poderia eu recitar intelectuais poemas na tua boca, diretamente, sem precisar gastar saliva com palavras que seriam um dia esquecidas. O cheiro, o gosto, o tesão, não, isso não se esquece. Palavras a gente ouve todos os dias, a todo momento. São bonitas, feias, encantadoras, histéricas e só. É sempre um blá-blá-blá que não respeita fronteiras. Palavras não precisam de passaporte. Entram, clandestinas, em qualquer país, em qualquer cidade, em qualquer ouvido desavisado. Já a paixão... ou se tem a chave dessa coisa que queima, ou não. Ou se credencia na portaria, com nome, RG e foto 3x4, ou morre à míngua. Paixão não é pra qualquer um não. Paixão, mesmo com passaporte amarelo, é aquela que encara o fiscal da imigração, sorri com os dentes mais brancos que alguém já pode ter visto, hipnotiza o capataz da fronteira e adentra sem rumo. Ou com o rumo certo, certeiro. Paixão não tem pátria. Não escolhe nome, nem endereço. É cidadã do mundo. Paixão é o que me falta.

MAS, APESAR DE, A GENTE SACODE A POEIRA...

"Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair"

Caio F.

Vem feriado, vem...

CHUVA E FRIO NA TERRA DAS PARTÍCULAS PRETAS

"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva."

Caio F.

Na terra da garoa, quando há escassez de garoa, o que mais se vê é poluição (ironias sempre acontecem). E então tem-se no céu partículas pretas que se acumulam e formam uma névoa de... de... partículas pretas, o que deixa o céu azul-cinzento e o ar "irrespirável". Estamos na primavera e o sol deveria estar raiando firme e forte nesse firmamento azul-acinzentado que só São Paulo (e algumas megalópoles do mundo) consegue ter. Estamos na primavera e muitos ipês estão dançando ao sabor do vento desse dia frio e garoento. Chuva e frio tornam o ar respirável, e a umidade relativa do ar, sem poluição, deve estar relativamente benéfica para os seres que sofrem da desagradável sinusite e/ou rinite. Eu sou uma dessas pessoas. Hoje minhas narinas deveriam estar em festa, contentes e a todo vapor. Hoje meus pulmões deveriam tecer gratidão ao divino que habita essa cidade e que nos emprestou a chuva como forma de recompensa por todo o calor e desgosto que sofremos nos dias que se passaram. Hoje eu deveria estar em festa, não fosse pela cicatriz que resolveu latejar e latejar e latejar. E quando me dei conta do incômodo, olhei para o meu eu por completo e descobri que além da dor, também não estou respirando. Apesar de toda a chuva, de toda umidade e de todo o vento de bons presságios, acabo de descobrir que o meu ar torna-se irrespirável quando não lhe vejo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A PRIMEIRA PEDRA

Atire a primeira pedra
Quem não sofreu, quem não morreu por amor
Todo corpo que tem um deserto
Tem um olho de água por perto
Para ouvir basta abrir os poros
Para aceitar basta oferecer
Para quê adiar um desejo
De alguém que lhe quer tanto beijo
Quem de vocês
Resiste a uma tentação
Quem pretende revogar a lei do coração
Quem ousaria
Dessas vozes duvidar
Deixa a sua natureza se manifestar

(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

POEMA IMUNDO

E um coração que bate
Tic tac tic tac
Um coração que bate
Tic tac tic tac
Um coração que bate
Tic tac tic tac

Um corpo desajeitado e grande
Que ocupa um lugar no espaço
Um lugar no espaço
Que toma um lugar no espaço
Que inutiliza um lugar no espaço
E um coração alagado
Um coração tictaqueado
Um coração idiotizado, banalizado
Um coração maltratado
No cosmo do meu quarto

Um poema sujo que guarda o nome dela
O cheiro do sexo
O cheiro de boceta e de cu
O meu cheiro
Um poema imundo que esquece o nome dela

Uma dose forte de Ferreira Gullar
E mais uma dose
Mais uma dose
Só uma dose
Sem pretensão
Sem distinção
Sem enganação

Um amor que caiba nos meus textos
E nos meus sonhos
E nos seus olhos
E em mais nada
E em mais nada
É só o que quer
Esse coração disléxico
Nascido há 27 anos
Que bate descompassado
Debaixo do peito, do seio, do mamilo, do bico
Escondido da chuva, da primavera, do verão e do frio
Covarde, patriota, aliado da burguesia
Delator dos (sacanas) interesseiros
Aliado da vida e da morte
Aliado de Deus...

É só o que quer
Só o que quer
Esse meu coração de menina

Tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac.

domingo, 4 de outubro de 2009

SEM TÍTULO

And what I wouldn't give to find a soulmate
Someone else to catch this drift
And what I wouldn't give to meet a kindred
Enough about me
Let's talk about you for a minute
Enough about you
Let's talk about life for a while
The conflicts, the craziness
And the sound of pretenses falling
All around, all around
Why am I so petrified of silence?
Here, can you handle this?
Did you think about your bills, your ex, your deadlines?
Or when you think you're gonna die?
Or did you long for the next distraction?
And all I need now is intellectual intercourse
A soul to dig the hole much deeper
And I have no concept of time, other than it is flying
If only I could kill the killer
And all I really want is some peace, man
A place to find a common ground
And all I really want is a wave-length
And all I really want is some comfort
A way to get my hands untied
And all I really want is some justice

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

QUANDO A MUSICA FALA...


domingo, 27 de setembro de 2009

TANTO

Eu voltei pra minha sina
Contei pra uma menina
Meu medo só termina estando ali
Ela é suave assim
E sabe quase tudo de mim
Ela sabe onde eu
Queria estar enfim


ps: em sampa city

ps do ps: e faltam menos de 12 horas... u-huuuuuu!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

GRAMADO

Eu tô morando
num pedaço do céu
como o diabo gosta...
- pelo menos até domingo -

(só falta a lua-de-mel... HA-HA-HA).

terça-feira, 22 de setembro de 2009

EU SEI, NÃO É ASSIM, MAS DEIXA EU FINGIR E RIR




SENTIMENTAL
(Los Hermanos)

O quanto eu te falei?
Que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar
Falar do que foi pra você
Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar

De tanto eu te falar
Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir

Ela é mais sentimental que eu
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais

"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te
Ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.

domingo, 20 de setembro de 2009

ALÉM DAS EXPECTATIVAS TODAS

Não sei se pelo ipê roxo que avisto da minha janela, ou se pelo vento com cheiro de flor que meu olfato alcança, sinto que a primavera está chegando. E mais do que supor que flores virão para alegrar dias outrora cinzas, tenho cá pra mim que a primavera me entregará a esperança. E se você me perguntar o porquê de tanto querer, não saberei te responder: quero, e nada mais sei. Assim como as árvores desejam as flores quando setembro finda, eu te desejo quando meu dia começa. E também não sei por que meu coração deu pra te querer, e só você. Poderia querer um milhão de gentes, entre os bilhões que existem no planeta inteirinho, mas ele, primaveral, decidiu por bem que você conseguiria causar todos os estragos e todas as alegrias que um bom e saudável coração merece sofrer. Assim como as árvores que escolhem as flores sabendo que em um outono qualquer serão abandonadas.

Procuro e não encontro em outros olhos, que não os seus, o brilho característico destes que me fazem viajar além das expectativas todas. Sim, porque se somos humanos, criamos expectativas. E criar expectativas não é ruim, antes disso – é na expectativa que guardamos toda a poesia do mundo, e as palavras bonitas. Ninguém cria expectativa para coisas ruins, ou palavras desagradáveis. Não, claro que não! Se criamos expectativa, e nos permitimos vivê-las, estaremos nada mais que desejando que um dia nossa vida se transforme naquele sonho quentinho que a gente guarda no fundo do coração. E realizar esse sonho talvez seja a grande proeza da vida.

Eu me permito criar expectativas. Sempre. Mas com você, babe, eu vou além de todas elas. E ir além é ultrapassar os sonhos todos e querer mais. Sempre mais. Ir além das expectativas é desejar prosa muito mais que poesia, realidade mais que fantasia. É guardar um abraço cheio de carinho e compreensão, porque em algum momento do dia você vai precisar de carinho e compreensão. Ir além das expectativas é trazer o peito carregado de insegurança, é saber que se corre o risco de cair em lágrimas simplesmente porque você não é a pessoa mais perfeita do mundo. Ir além das expectativas é te querer na minha vida, e não simplesmente desejar sua breve companhia e alguns beijos apaixonados.

Não sei em qual momento me apaixonei por você. Talvez no dia em que, sorrindo, me contou suas aventuras todas e seus sonhos ávidos por realização. Ou então no dia em que te percebi falível e incrivelmente humana, errando e acertando como todo o mundo. Não sei, não sei. O que sei, e desse saber não abro mão, é que mesmo com todas as adversidades e todos os avisos de que corro sério risco, eu continuo te querendo. E continuo te querendo. E continuo te querendo. Até o dia em que eu puder contar para as pessoas o quanto você me faz feliz, e o quanto eu te faço feliz. A partir desse dia as expectativas darão lugar à realidade, e o querer dará lugar ao orgulho e ao zelo.


Besteira, babe, é não querer. Acredite.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

TIVE UM SURTO DISPÉPTICO...


Simplesmente uma delícia de música e interpretação.

ENCANTADA
( Versão de "Bewitched, Bothered and Bewildered" - Richard Rodgers e Lorenz Hart, por Carlos Rennó)

Após nove ou dez conhaques,



Acordei qual uma flor,
Sem Engov nem ataques.
Nem senti tremor
Homem sempre me aparece;
Geralmente bem me dou.
Mas um meia-boca desse
Me desconcertou.
Tinindo estou;
Curtindo estou;
Criança, chorando
e sorrindo estou
Inquieta, tonta e encantada estou
.

Sem dormir,
Não tem dormir,
O amor vem e diz: não convém dormir...
Inquieta, tonta e encantada estou.

Me perdi, dominada,
E daí? Errei, sim.
Ele é uma piada,
A piada sobre mim.
Ele é o fim,
E até o fim
Vou tê-lo pra vê-lo, com fé, no fim,
Inquieto, tonto e encantado também.

Vi demais,
Vivi demais,
Mas hoje eu já adolesci demais
Inquieta, tonta e encantada estou.
Niná-lo eu vou,
No embalo, eu vou,
Um dia na pele grudá-lo eu vou
Inquieta, tonta e encantada estou.

Ao falar ele sente,
Travação, timidez,
Mas horizontalmente
Falando, ele é dez.
Perplexa, enfim,
Com nexo, enfim,
Com – graças a Deus – muito sexo, enfim,
Inquieta, tonta e encantada estou.

Ele é um tolo, mas um tolo
O seu charme às vezes tem
Em seus braços eu me enrolo,
Que nem um neném.
Caso é aquela coisa louca;
Nem dormindo eu estou,
Desde que esse meia-boca
Me desconcertou.

Sensata, enfim,
Constato, enfim,
Sua baixa estatura de fato – enfim,
Inquieta, tonta e encantada não mais.
Doeu demais;
Rendeu demais;
Você ganhou muito e perdeu demais
Inquieta, tonta e encantada não mais.

Tive um surto dispéptico,
Mas viver já não dói.
Tenho o peito antisséptico,
Dês que você se foi.
Romance – finis;
Sem chance – finis;
Calor a invadir meu colant – finis;
Inquieta, tonta e encantada não mais.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ONDE A CREDULIDADE SE ESCONDE

No mar de incredulidade em que vivemos, muito em parte porque nos é difícil aceitar algumas situações ao qual teríamos que nos despir de nossos quereres e sentimentos, esconde-se em jarros brancos, de porcelana puríssima, a credulidade. Suas tampas, muitas vezes banhadas a ouro e muito requinte, são pesadas e tem o objetivo de proteger nossos olhos (e alma). A partir do momento em que se tem curiosidade (e consciência feita) de que levantar aquela tampa pode ser a ruína ou a glória de determinado momento de nossas vidas, nos enchemos de coragem genuína e nos tornamos fortes o suficiente para suportar qualquer coisa que dali de dentro saia. E então, lá estará ela, a credulidade. E tudo o que vemos nos é passível de crédito, uma vez que estamos vendo com nossos olhos e não apenas elucubrando a respeito de algo imaginado. E esse momento de descoberta às vezes nem chega a nos surpreender, pois muitas vezes o que se é pressentido em relação ao objeto que é passível de crédito ou descrédito, é a verdade em si, nua a crua. E então o que sentimos em relação aquilo permanece, pois os sentimentos são a essência que nos move em direção à curiosidade de querer saber mais, mas nos tornamos passíveis de aceitar ou não em nossas vidas o que pode nos ser prejudicial. A essa atitude eu daria o nome de amor-próprio, ou preservação. Mas algumas pessoas chamarão de egoísmo, ou fraqueza. O nome pouco importa, na verdade. O que conta, nesse caso, é sabermos exatamente o momento de parar, ou continuar, para que tudo o que tenha acontecido, ou estiver para acontecer, valha a pena de ser vivido. E às vezes vale. E às vezes não vale.

Ces't la vie.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DA SÉRIE: COISAS QUE NÃO SE PODE FAZER A UMA MULHER INTELIGENTE

NUNCA provoque IRA em uma mulher INTELIGENTE. NUNCA. Principalmente se essa mulher inteligente tem um lado maquiavélico bem desenvolvido. BEM desenvolvido.

Agora, se ela já está em IRA, você se fodeu preste atenção se ela ESCREVE MUITAS PALAVRAS EM CAIXA ALTA. Porque se isso acontecer, meu amigo, é que a coisa ficou feia pro teu lado. BEM feia.

HORIZONTE EM CONSTANTE EXPANSÃO

TEMPOS (ULTRA) MODERNOS
(Lulu Santos)

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima do muro
de hipocrisia que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais farta e clara
Repleta de toda a satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão
Eu quero crer no amor numa boa
E que isso valha prá qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não
Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo o que há prá viver
Vamos nos permitir

domingo, 13 de setembro de 2009

RETRATO ENQUADRADO DE UM HORIZONTE EM EXPANSÃO


Telhado de Paris - Zélia Duncan

Venta...
Ali se vê
Aonde o arvoredo inventa um balé
Enquanto invento aqui pra mim
Um silêncio sem fim
Deixando a rima assim
Sem mágoas, sem nada

Só uma janela em cruz
E uma paisagem tão comum
Telhados de Paris
Em casas velhas, mudas
Em blocos que o engano fez aqui

Mas tem o outono uma luz
Que acaricia essa beleza cor de giz
Que mora ao lado, mas parece outro país
Que me estranha, mas não sabe se é feliz
E não entende quando grito...

Eu tenho os olhos doidos, doidos, doidos
Já vi
Meus olhos doidos, doidos, doidos
São doidos por ti

O tempo se foi
Há tempos que eu já desisti
Dos planos daquele assalto
Diversos, retos, corretos
E o resto de paixão, reguei
Vai servir pra nós
E o doce da loucura é teu
É meu
Pra usar à sós

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DESBARATINANDO!


Dá até uma coceirinha boa... rsrs.. E um suspiro, de alívio.

Ps: peguei no blog da Manô, mas já conhecia há muito tempo... hehehe

EU TENHO OS OLHOS DOIDOS, DOIDOS, DOIDOS...

O tempo se foi
Há tempos que eu já desisti
Dos planos daquele assalto
Diversos, retos, corretos
E o resto de paixão, reguei

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ESPERANDO POR DIAS AZUIS

Apenas me empreste seus olhos quando os meus não mais puderem enxergar o colorido dos dias.

E simplesmente me abrace quando eu estiver triste.

E calmamente me ouça quando eu quiser desabafar.

E cuidadosamente me mostre outros caminhos que eu ainda não tiver enxergado.

E então, curada de toda angústia, pintarei seus dias de azul. Com esmero e zelo. Carinho e cumplicidade. E descansarei na tua presença. E contemplaremos o silêncio.


SONETO DO DESMANTELO AZUL
(Carlos Pena Filho)

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

DAS COISAS PARA SE ODIAR - ENTRE OUTRAS:

choro entalado, que não tem onde desaguar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

HOJE MESMO

E o último,
complexo, honesto e genuíno,
amar sem precisar da dor,
querer também sem magoar
Tocar seu corpo
Hoje mesmo.
(Nando Reis)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

QUANDO O AMOR VACILA

"... Eu te amo de alma para alma.

E mais que as palavras,

ainda que seja através delas

que eu me defenda,

quando digo que te amo

mais que o silêncio dos momentos difíceis,

quando o próprio amor

vacila."

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FERIADO COM ZÉLIA NA VEIA

TUDO SOBRE VOCÊ

Queria descobrir
Em 24hs tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir
E num fim de semana
Tudo que você mais ama
E no prazo de um mês
Tudo que você já fez
É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você

E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor
Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você

Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

DAS COISAS PARA SE ODIAR - ENTRE OUTRAS:

DESENCONTROS MARCADOS

SOBRE A POESIA

Não me arrisco a criá-la. E se o faço, é por estar fora de mim. Poucos tem o dom de possuí-la, e para esses poucos é reservado todo o encantamento do mundo. E também os olhos mais atentos, e os corações mais encardidos - sim, porque um poeta tem o coração encardido. Não que eu não seja uma obsessiva, como a Ruth do post aí de baixo, antes disso - mas meu encardume é outro. Às vezes leio algumas rimas, pobres rimas, e não posso deixar de pensar em quem as escreveu: é um esforçado, não duvido. Mas o poeta de verdade, aquele para quem os sinos dobram - e um poeta verdadeiro não usaria essa metáfora ridícula dos sinos - não necessita de muito esforço (sentimental) para traduzir em palavras o que sente (para essa observação guardo um cuidado: não fazer muito esforço sentimental não significa que esse mesmo poeta não espreite, e às vezes por muito tempo, a palavra antes da mesma cair em sua graça). Guardadas as devidas proporções, de louco todos temos um pouco. De poeta, talvez. E por isso é que sigo sem rima. Mas sempre neurótica.

SIMULTANEIDADE
(Mário Quintana)

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo!
Eu creio em Deus! Deus é um absurdo!
Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DAS OBSESSÕES

Ruth era una persona obsesiva, y ese rasgo de su carácter le hacía sufrir mucho, pues le impedía recuperarse tan fácilmente como otros de los desastres sentimentales, de las decepciones, de los contratiempos, de las pequeñas tragedias del día a día. Pero también gracias a ese rasgo trabajaba con entusiasmo hercúleo, entregándose a la cámara como a una amante y a los amantes como se fueran dioses, con una pasión de devota o incluso de mártir (en intensidad, al menos, aunque no fuera en duración). A lo largo de su vida, Ruth se había obsesionado com muchas personas, pero eso no quería decir que las hubiese incluido em su vida. A veces, sólo las miraba desde la distancia. Podía tratarse de amores platónicos, de estrellas desconocidas, de amantes de una noche, amigas. Personas a las que necesitaba para crear. Todo lo que Ruth había escrito, actuado, filmado, había sido concebido para alguien. Cada monólogo, cada encuadre, cada plano, tenían un destinatario.Pensaba en aquella persona cuando filmaba o cuando actuaba, y el hecho de saber que esa persona existía, que podría verla algún día, se convertía en el carburante que engrasaba su máquina de crear, de dar, de mostrarse, de comunicar. Pero Ruth no podía definir aquellas personas como inspiradores, sino, más bien, como espejos. Lo que escribía, filmaba o interpretaba estaba escrito, filmado o interpretado sólo para una persona, para nadie más, pero en el fondo estaba destinado para la propria Ruth. Sin la intervención de una tercera presencia no podía colocarse ni delante ni detrás de una cámara. Sus obsesiones eran como un catalizador. Necessitaba reconocerse en otro. Como si supiera verse a sí misma sin otro.

Desde ayer tú eres mi otro, mi hermano de sangre, si me aceptas. No pretendo, entiéndeme, suplantar a tu novia. No busco horarios ni exigencias ni ataduras ni compromisos. Aunque sea bien cierto que a veces los horarios, las exigencias, las ataduras y los compromisos son buenos substitutos de la seguridad que, al fin y al cabo, todos necesitamos. La necesidad de ser querido, y la seguridad de ser querido que se asocia a la rutina, a ese orden estructurado y predecible que se identifica con la felicidad y que es posible que la constituya (yo todavía no sé si la constituye o no, a mí no me preguntes: las relaciones abiertas son caóticas y minan emocionalmente, las relaciones cerradas y restrictivas acaban por anular y aburrir, ser o no ser libre, ésa es la cuestión). Yo sólo quiero verte, verte otra vez lo antes posible, si tú quieres.

Lucía Etxebarria em De todo lo visible y lo invisible

terça-feira, 1 de setembro de 2009

PARA R.F.

Não queira do verbo mais do que ele pode oferecer: ação. Queira da vida o riso inesperado, do pincel do artista o movimento, dos olhos o brilho e de um poema de Drummond a salvação. Entender é anular possibilidades. Entender é enclausurar-se. É jogar o sentido pra dentro de si, trancar a porta e jogar a chave fora. E um sentido preso é o mesmo que ter olhos cegos: somente no tato é que se conhece alguma coisa. Mas não queira tatear a vida como quem faz questão de tocar para só então acreditar que é real. Acredite antes mesmo de ver.

Não espere do tempo exatamente aquilo que ele nos nega: paciência. Espere da primavera flores, dos amigos abraços, da dor aprendizado e do amor cumplicidade. Viver é ultrapassar limites. Viver é agir. Viver é agora. É vestir a roupa de personagem principal e encarar o palco de cara limpa e alma aberta. E uma alma aberta é capaz de fazer milagres quando o que se quer é viver apesar de – (e você entende o que vem a ser esse “apesar de”... ainda estamos aqui, apesar de, não é mesmo?).

Não deposite nos sonhos todas as suas esperanças: realize-se. Deposite nos filhos seu afeto, no trabalho sua dedicação, no tempo suas prioridades e na vida sua essência. Realização ultrapassa o sentido material quando o que se almeja é construir-se. Realizar-se é fazer da vida o que se deseja, e quer. Porém, minha cara, tenha sempre em mente que é preciso ter coragem para praticar a sinceridade consigo mesma. E acima de tudo é preciso ter muito amor para enxergar com clareza o que é a existência e continuar a caminhada, na fé de que todos os sacrifícios valerão a pena.

Não carregue o peso do mundo nas suas costas: liberte-se. Carregue flores para dentro de casa, amor para dentro do peito, um amigo no colo quando necessário for e esperança no coração. Culpar-se é vestir uma carapuça que nem sempre te serve, mas que mesmo assim você insiste em vesti-la. E então ela fica desconfortável, aperta onde não deveria apertar e fica folgada onde deveria ser justa. Espírito livre é aquele que tem ciência de todos os seus atos, se torna responsável por eles, mas não se dobra ao peso da culpa ou do ressentimento exatamente porque enxerga que a vida é feita de circunstâncias.

A vida é feita de circunstâncias.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

TUDO QUE MOVE É SAGRADO

Eu queria querer-te e amar o amor
construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação
tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
e vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero e não queres como sou
não te quero e não queres como és

MAS A VIDA É REAL E DE VIÉS

No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conhecer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto

um dia, quem sabe.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

QUANDO A MUSICA FALA...

Amanhã eu vou revelar
Depois eu penso em aprender
Daqui a uns dias eu vou dizer
O que me faz querer gritar
Aaaahhhhhh!!

No mês que vem
Tudo vai melhorar
Só mais alguns anos
E o mundo vai mudar
Ainda temos tempo
Até tudo explodir
Quem sabe quanto vai durar
Aaaahhhhh!!

Não deixe nada pra depois
Não deixe o tempo passar
Não deixe nada
Pra semana que vem
Porque semana que vem
Pode nem chegar
Pra depois
O tempo passar
Não deixe nada
Pra semana que vem
Porque semana que vem
Pode nem chegar...

A partir de amanhã
Eu vou discutir
Da próxima vez
Eu vou questionar
Na segunda eu começo a agir
Só mais duas horas
Pra eu decidir...

Não deixe nada pra depois
Não deixe o tempo passar
Não deixe nada
Pra semana que vem
Porque semana que vem
Pode nem chegar
Pra depois
O tempo passar
Não deixe nada
Pra semana que vem
Porque semana que vem
Pode nem chegar
Ah! Ah! Ah! Ah!

Esse pode ser o último dia
De nossas vidas
Última chance de fazer
Tudo ter valido a pena
Ah! Ah! Ah!

Diga sempre tudo
O que precisa dizer
Arrisque mais
Pra não se arrepender
Nós não temos
Todo tempo do mundo
E esse mundo
Já faz muito tempo...

O futuro, o presente
E o presente já passou
O futuro, o presente
O presente já passou...

Não deixe nada pra depois
Não deixe o tempo passar
Não deixe nada
Pra semana que vem
Porque semana que vem
Pode nem chegar
Pra depois
O tempo passar
Não deixe nada
Pra semana que vem
Porque semana que vem
Pode nem chegar...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

TEMPO

posso ouvir o vento passar
assistir à onda bater
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver
eu pensei que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar.
um século, um mês
três vidas e mais
um passo
pra trás?
por que
será?
...
vou pensar.

como pode alguém sonhar
o que é impossível saber
não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi, o vento leva!
não sei mas sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer
e isso por quê?
(diz mais)
ú
se a gente já não sabe mais
rir um do outro, meu bem
então o que resta é chorar
e talvez
se tem que durar
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
um século, três,
se as vidas atrás são parte de nós
e como será?

o vento vai dizer lento o que virá
e se chover demais a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois sorrir em paz.
(só de encontrar...)

DEPOIS RASGO

Sou eu o seu paradeiro
Em uns versos que eu escrevo
Depois rasgo

terça-feira, 18 de agosto de 2009

RE-POSTANDO

L'AMOUR

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.

Clarice Lispector

E eu, que durmo com o amor pendurado na cabeça. E nele penduro pessoas e situações e frases e um pouco de mim. E porque eu acordo com ele na cabeça, e inevitavelmente o vejo sempre acima de mim, será por isso que não tenho mais fé nisso, nisso que chamam descuidadamente de AMOR? E com todas as letras maiúsculas, ainda! Vai ver que é porque o coloquei acima de mim. Mas por outro lado seria muita pretensão da minha parte que eu o colocasse aos meus pés. “O Amor não existe para ser rebaixado: ou está acima, ou acaba virando objeto de decoração”. Parece que no meu caso não há cálculo matemático algum, e muito menos errado. Não somei as compreensões e nem as imcompreensões – eu “apenas” tentei interpretá-las. Então acho que de errado o que fiz foi a análise dele: interpretei as compreensões e as incompreensões, e achei que só por ter amado uma vez seria capaz de amar para sempre.

MUSIQUINHA


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

ESPERANÇADOS

De longe observo você, que não pode me ver. Mas eu te vejo.Viajo em pensamento e me coloco ao teu lado. Penso em algumas musicas, uma em especial não me sai da cabeça, e fico a imaginar o que seria do ser humano se não existisse a arte. Nietzsche já dizia que "temos a arte para não morrer da realidade". Realidade que esmaga, muitas vezes. Outras mata. Mas quando não mata... aaah, quando não mata. Quando não mata, permite. E permite tantas coisas que as possibilidades parecem infindáveis, é só abrir os olhos e enxergar uma próxima estação.

Falta um pouco mais de um mês para a primavera... já te contei que essa estação é a minha preferida depois do outono? Pois é... Gosto do vento que a primavera traz, gosto das florzinhas despontando, gosto de ver o ipê amarelo reluzindo no sol quente. E o roxo também. Me parece que na primavera as pessoas ficam mais felizes. Mas "felizes" não é bem a palavra que eu gostaria de usar... talvez "esperançadas" seja a palavra. Li em um livro que a última esperança é feita de uma burrice bonita. E no livro a autora se referia à ultima esperança de ver alguém que ja morreu voltar à vida. É, não dá pra negar que seja uma burrice bonita. A realidade esmaga, quando não mata. Mas a esperança persiste no coração dos crédulos. E das pessoas cuja alma não se cansa de procurar. Ou de sonhar.

VIVENDO E CONHECENDO

GRAM!

sábado, 15 de agosto de 2009

ENQUANTO VOCÊ DORMIA

os fatos mudam à medida que nos distanciamos deles. sentimentos também, assim como as sensações.

escrevo e apago... escrevo e apago... escrevo e me apego.

uma caixinha de surpresas pode ser um mundo inteiro.

no entanto, o mundo poderia ser um lugar menos previsível.

enquanto você dorme, escrevo. sou notívaga, já lhe expliquei, mas sempre estarei ao seu lado quando você acordar.

faço planos para amanhã, mas e se o amanhã não chegar?

você poderia dormir nos meus sonhos, ou nos meus escritos. seria uma forma de companhia.

enquanto penso, existo.

não faço por mal, mas penso em muitas coisas que não você. nem nós.

preciso colocar no papel antes que tudo se transforme em pó, dentro de mim.

os jornais de hoje embrulharão os peixes de amanhã.

as postagens de hoje serão o lixo eletrônico de amanhã.

eu escrevo para satisfazer todos os meus eus. e eu tenho muitos eus.

tudo passa, confie em mim.

você quer me dar o mundo, e eu ficaria satisfeita se conseguisse me dar pra você.

um dia serei mãe, você precisa se acostumar com essa idéia.

meus filmes prediletos são os que não vi.

meu livro preferido é o que leio no momento, e ele dorme ao meu lado quando você não está.

hoje eu ganhei flores e me senti mais mulher.

a noite passada sonhei que sonhava com você, e no sonho do sonho eu te amava.

um dia o silêncio entre nós será cômodo. por ora podemos nos contentar com os estalos dos beijos que não nos negamos.

ontem eu me confortei nos seus braços, e foi uma sensação boa.

eu hoje desejei ser menos individualista.

mas não menos livre.

daqui a pouco eu acordarei te amando.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

ANTES QUE ISSO AQUI VIRE UMA TRAGÉDIA

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DO AMOR


Quanto mais intelectualizada (e racional) me torno, mais acredito que o amor é uma dádiva. E não uma dádiva divina, antes disso - é uma dádiva que só alcançou o status de dom porque é gratuita. E sendo gratuita, nada pede em contrapartida. Nada pede em troca.

Quanto mais sensível me torno, mais acredito que poucas são as pessoas que verdadeiramente sabem amar. O modo pouco importa. O importante é que se saiba amar. E sabendo amar, já teremos meio caminho andado.

Quanto mais alio razão e sensibilidade, mais percebo o quanto somos tolos perdendo um tempo que é tão precioso - e se não o é, ainda, um dia será. E então caem minhas fichas de que, não amando, não se vive verdadeiramente. E ficar esperando receber amor para só então oferecê-lo, em troca, é um dos maiores erros que podemos cometer com nossos corações tão ávidos por esse sentimento de amor que nos é oferecido todos os dias, nas entrelinhas.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A PEDIDO

Eu sei colocar palavras bonitas no papel. Sei, sobretudo, guardá-las pra mim a fim de enfeitar meu jardim quando o inverno lá fora não dá trégua. Palavras bonitas são bonitas, e só. Não alcançam um status diferente de “agradáveis”. Palavras bonitas cabem em qualquer meio, em qualquer texto e até em qualquer discussão. Palavras bonitas são sempre aceitas, entram em qualquer lugar, mas palavras bonitas não conquistam o mundo, não conquistam admiração, não conquistam amizade e sequer passam perto de serem as responsáveis pelos muitos amores que cruzarão nossos caminhos. De palavras bonitas estamos até as tampas. De palavras bonitas recheamos muitas vezes nosso discurso egocêntrico, hipócrita e mal intencionado. Políticos usam muitas palavras bonitas, e pomposas... e aí fazem com aqueles que confiaram neles tudo o que não deveria ser feito.

“Texto animadinho” eu faço pra encantar platéias, pra descontrair, pra elevar a auto-estima de alguém que por ventura esteja com a sua no pé (nesse último caso venho me tornando especialista). Texto animadinho eu faço pra passar o tempo, pra me deliciar do sorriso do outro, pra beber na fonte o prazer que é saber-se com o dom da palavra.

Com as minhas palavras, sejam elas feias, duras, brutas ou bonitas, eu faço textos austeros, das “trevas”, sensacionais, filosóficos, irreverentes, geniais e até românticos. Mas não uso neles as tais palavras bonitas, não mancho idéias concretas com palavras feitas de bolha de sabão. Para o concreto uso meus sentimentos, minha razão e meu intelecto.

Quando me disse que ando escrevendo textos “trevas”, não tive a oportunidade de lhe corrigir. Antes disso, minha cara, bem antes... tenho escrito textos sinceros. E até poéticos, aos olhos de quem sabe enxergar além das aparências.

Em tempo: atitudes valem mais do que palavras, mesmo que essas palavras sejam agradáveis quando lidas.

INSTRUÇÕES DE USO

(não) force declarações de amor
(não) forje declarações de ódio
(não) sinta precipitadamente
(não) sinta tardiamente
(não) julgue aleatoriamente
(não) condene indiscriminadamente
(não) permita o abuso
(não) solte as rédeas
(não) segure firme
(não) seja detalhista
(não) se prolongue
(não) discuta
(não) abandone
(não) caia em ciladas de amor
(não) dê vazão à paixão
(não) permita
(não) corte
(não) esqueça
(não) lembre
(não) gargalhe
(não) chore
(não) siga instruções
(não) leia a bula
(não) enxergue os nãos
(mas) apenas ame.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

PRECIPÍCIO

é do tipo que se arrebenta por dentro, mas não dá o passo à frente.

domingo, 2 de agosto de 2009

TIRANDO A POEIRA COM MINHA PRESENÇA

(Releitura de texto publicado originalmente no "Chutando Pedrinhas").

A casa perfeitamente arrumada e organizada. Silêncio. São Paulo está incrivelmente quieta, hoje. E me sinto bem com esse silêncio. Não tenho mais crenças. Fé virou adorno de criado-mudo, que por ser mudo guarda o segredo do meu ceticismo. Às vezes é difícil conviver comigo, mas sou tudo e o que sempre me resta. Não costumo me importar com o juízo que fazem de mim. Quer dizer, não costumo me importar com pessoas que não fazem parte do meu mundo, quanto mais com o julgamento delas... Tenho um mundo paralelo e particularmente aberto apenas aos que de alguma forma tocam o meu coração e me deixam orgulhosa e honrada por poder compartilhar de suas vidas. Não acredito no eterno, apesar de ainda sonhar com os finais felizes. Mas sou adepta mesmo é do efêmero. Deixo poeira acumular nos cantos, durante muito tempo, só pelo prazer de vê-las rolando de um lado para o outro, ao sabor do vento. Depois, quando me canso de observá-las, lhes dou o presente divino do esquecimeto - as jogo no lixo. Faço isso com as paixões. Eu me apaixono sempre, e todos os dias. E por todas as pessoas, e animais, e situações, e momentos. Mas eu me canso, rápido e facilmente. E num dia, quando me canso, simplesmente me viro pro lado e durmo, tranquilamente. Paixões são verões. É o efêmero que mora no mundo que o faz mudar, mudar e mudar. A insatisfação também faz o mundo mudar, mas ela traz consigo o gosto amargo daquilo que, por algum motivo, não alcançamos. Pessoas são insatisfeitas por natureza. Já a efemeridade é para poucos. Assim como a eternidade.

Esse lugar estava juntando muita poeira.


Hoje: eu não quero, e não vou, me cansar. Virar para o lado e dormir é praticamente impossível. ;-)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

“RE-DISTRAINDO”

POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS (CLARICE LISPECTOR)

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

distraídos

PS: a esperança é a última que morre.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

AND I DO WHAT I DO (by Luiza)

sentada 

Proibido andar em círculos.
Pena: de 3 meses a 2 anos de detenção.

 

Peguei aqui

Acessem o novo blog da minha querida amiga Luiza

PS: Lu, PER-FEI-TO! Você é sempre demais. Beijo grande.

terça-feira, 21 de julho de 2009

ESPERA(NÇA)


enquanto espero a hora, conto-as
e na espera, anseio
e no anseio, des-espero
e penso em você
em dias desiguais
em luas cheias
em noites quentes.
enquanto conto as horas, sufoco
e então contos os dias
(os que já se passaram)
e tranquilizo.
enquanto te desejo, visito a saudade
e na casa saudade mora a esperança
(esperança?)
muito prazer, dona esperança - você eu não conhecia.

então espero, sentada
e esperançada.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

BABE, PLEASE

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ENCONTRO

coracao-janela-chuva

Quando em minha imaginação você existia, e só lá morava, eu sabia o que fazer com meu pensamento: bastava desviá-lo para o prático, o racional, e a vida voltava ao normal. Bastava não pensar em flores, em manhãs ensolaradas, em taças de vinho pelo quarto, em música e velas. Bastava não querer nada além de uma boa xícara de café e chuva batendo no telhado. Quando só te sabia em minha imaginação, era fácil sair às ruas e saber o que fazer. Meus pés sabiam para onde ir, por onde andar e como chegar. Minhas mãos nunca estavam vazias, apesar do coração, e eu sabia o que fazer com elas, sempre. Mas quando em minha imaginação você apareceu, confesso que desejei que fosse algo além dela, da imaginação, e que eu pudesse então finalmente sorrir enquanto colocasse a mesa para duas pessoas, com um par de taças de cristal, velas e um par de guardanapos com bordinhas bordadas. Pois bem... agora que você existe não sei o que fazer com a tua ausência, mesmo te sabendo real. Você saiu da minha imaginação, sua morada agora é em outro lugar, mas se soubesse onde te colocar, enquanto está ausente, provavelmente não ficaria perdida olhando fotos tuas, e imaginando a careta do momento da foto. Agora que está aqui, aí e ali, me perco em pensamentos que só direciono a você, e não há racional algum que me faça parar de pensar. Nada de praticidade, meu coração só quer sentir, e sentir e sentir. Agora que você existe de verdade, e só para mim, eu penso em flores, em manhãs ensolaradas, em taças de vinho pelo quarto, em música, em velas e no quanto eu te quero do meu lado, mesmo que o cenário não seja necessariamente o que imaginei. Agora quero duas xícaras de café, chuva batendo no telhado e dois pares de pés se encostando debaixo do edredom. Agora meus pés não sabem mais para onde ir, porque qualquer destino que não seja ao teu encontro não os interessa. Mas eles continuam sabendo como chegar, porque sempre souberam do meu desejo por você. Eles sabiam que era você quem morava em minha imaginação. E tanto sabiam que me levaram ao teu encontro, sem nem mesmo eu saber para onde estava indo.

 
BlogBlogs.Com.Br