sexta-feira, 30 de julho de 2010

E O QUANTO LEVOU FOI PR'EU MERECER



O ULTIMO ROMANCE
(Rodrigo Amarante)

Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei

E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena

Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola

Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor

E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar

Ah vai, me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar

quinta-feira, 29 de julho de 2010

TOMARA QUE ISSO NÃO TENHA FIM...

Honey, uma palavra sua e o sol voltou para a minha rua!  =D


"Os meus olhos vibram ao te ver
são dois fãs, um par
Pus nos olhos vidro pra poder
melhor te enxergar...

E eu gosto dela
e ela gosta de mim
E eu penso nela
Será que isso não vai ter fim?"

(eu torço para que não)...  ;-)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

QUE MEIGOS SÃO SEUS OLHOS



VERMELHO

Gostar de ver você sorrir
Gastar das horas pra te ver dormir
Enquanto o mundo roda em vão
Eu tomo o tempo
O velho gasta solidão
Em meio aos pombos na Praça da Sé
O pôr do Sol invade o chão do apartamento

Vermelhos são seus beijos
Que meigos são seus olhos
Ver que tudo pode retroceder
Que aquele velho pode ser eu
No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego

Vermelhos são seus beijos
Quase que me queimam
Que meigo são seus olhos
Lânguida face
Seus beijos são vermelhos
Quase que me queimam
Que meigos são seus olhos
Lânguida face

Ver que tudo pode retroceder
Que aquele velho pode ser eu
No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego

Vermelhos são seus beijos
Quase que me queimam
Que meigos são seus olhos
Lânguida face
Seus beijos são vermelhos
Quase que me queimam
Que meigos são seus olhos
Lânguida face

segunda-feira, 26 de julho de 2010

VEJA BEM, MEU BEM...



Veja bem, meu bem
Sinto te informar
Que arranjei alguém
Prá me confortar
Este alguém está
Quando você sai
Eu só posso crer
Pois sem ter você
Nestes braços tais...

Veja bem, amor
Onde está você?
Somos no papel
Mas não no viver
Viajar sem mim
Me deixar assim
Tive que arranjar
Alguém prá passar
Os dias ruins...

Enquanto isso
Navegando eu vou sem paz
Sem ter um porto
Quase morto, sem um cais
E eu nunca vou
Te esquecer, amor
Mas a solidão
Deixa o coração
Neste leva-e-traz...

Veja bem além
Destes fatos vis
Saiba: traições
São bem mais sutis
Se eu te troquei
Não foi por maldade
Amor, veja bem
Arranjei alguém
Chamado saudade
Amor, veja bem
Arranjei alguém
Chamado saudade...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

NO EXPECTATIONS

Aprendi, depois de muito quebrar a cara, a não criar expectativas. Degustar, sentir, conhecer calmamente, esperando que o outro, quando se trata de pessoas, me traga o que ele realmente é, e não aquilo que estou projetando e esperando que ele seja.

Com você está sendo bom, muito bom. Estou te deixando ser, e me deixando ser, e isso significa que quero te conhecer verdadeiramente, e que estou alerta para não projetar um desejo meu de que você seja assim ou assado.

Como dissemos hoje: as coisas acontecem quando realmente tem que acontecer.

E não se esqueça: assuma sempre seus desejos, honey...  ;-)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

NÃO SE ATRASE DEMAIS

 "Se você não se atrasar demais, posso te esperar por toda a minha vida." (Oscar Wilde)


Na correria do dia, ou nas noites de sono profundo, te espero. Quando tudo está no automático, o sol nasce e se põe, ou quando a lua surge, algumas vezes cheia, outras minguante, é nesse momento que te espero. Minha espera é minha religião. Quando tomo uma taça de vinho, imaginando um momento feliz, um pouco de paz e um amor quente, te espero.

Quando sento no meu banco preferido da praça que imagino passar bons momentos com você, e então leio um livro que me conta sobre as coisas bonitas do mundo, te espero. Respiro aliviada a certeza da espera, e a sensação boa de ter alguém para esperar. E então sorrio, com o canto da boca, enquanto observo o sol quente que se põe e risadas de crianças que fazem a trilha sonora perfeita para as folhas que caem, como se dançassem ballet ao sabor do vento.

Posso te esperar  por uma vida toda, e da espera fazer poesia. Poesia alimenta, dizem alguns. Uma vida de espera não é exatamente o que sonham os sensatos. Estes desejam uma vida de realizações, alguns planos bem marcados, filhos na escola e carro na garagem. Não, não sou sensata. Prefiro me apegar a essa mania romântica e boba de vaticinar o meu melhor com o seu melhor, sem planos de casamento feliz, mas com o propósito de fazer duas vidas felizes. Essa é a minha espera.

Nos momentos de descuido, imagino seu abraço. Sim, eu sei que ainda não conheço seu rosto, mas abraço não tem rosto. Um abraço e um jeito certeiro de piscar o olho esquerdo, o do coração, como quem diz "babe, tudo vai dar certo" seriam perfeitos para um dia como hoje, em que não vejo esperança nos olhos que me encaram. Você me encararia com esperança? Seria perfeito.

Você ainda é espera, mas eu tenho toda a minha vida. Apenas não se atrase.

Not too late for love... (Norah Jones)


Autoria da foto: Camila, via Olhares Fotografia Online

terça-feira, 13 de julho de 2010

EU FINJO QUE NÃO ESPERAVA



LUGARES PROIBIDOS
(Helena Elis)

Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já...

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava

Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já...

Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava...

terça-feira, 6 de julho de 2010

É

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A paixão desdenha dos pré-requisitos.
Fabrício Carpinejar

segunda-feira, 14 de junho de 2010

MAS DEPOIS MUDOU DE MIM

Você só me fez mudar / Mas depois mudou de mim...


Should I give up, or should I just keep chasing pavements
even if it leads nowhere?
Or would it be a waste even if I knew my place
Should I leave it there?

Tua falta me rasga o peito. Dói. Mas dor pior é saber que você nunca se decidirá, e que seu medo é justamente a minha fortaleza. E é nessa fortaleza que me abrigo da crueldade do mundo, do egoísmo de pessoas egocêntricas, e onde me refugio quando só em teu peito faria morada. Minha alegria são os versos que nos dedicamos, mas minha tristeza é não vivê-los. O prazer vão das tentativas mal sucedidas não me tira o sono. O que me tira o sono é te ter ao alcance das mãos e não poder tocar. É ter a genuína vontade de te possuir, mas ser impotente. É saber... não, não – antes disso: é sentir o quanto nos queremos, nos desejamos e nos merecemos. É conquistar uma afinidade nunca antes imaginada com qualquer outra pessoa. É “te amar pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas”. Minha calmaria é ser tua tormenta, mas minha tormenta é não ser teu porto seguro. O que me machuca não são as flechas que atira para me prender em tua vida, mas a displicência com que acerta meus pontos fracos. A displicência com que acerta meus pontos fracos. Acerta meus pontos fracos. Meus pontos fracos. Você é o meu ponto fraco. Mas eu sou forte. Infinitamente forte.

sábado, 12 de junho de 2010

ESPERA

De Sophia de Mello Breyner
ESPERA

Dei-te a solidão do dia inteiro. 
Na praia deserta, brincando com a areia, 
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia 
A gritar o seu eterno insulto, 
Longamente esperei que o teu vulto 
Rompesse o nevoeiro.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CANSEI DE CHORAR FERIDAS QUE NÃO SE FECHAM, NÃO SE CURAM...

SINTO MUITO  =(


NA SUA ESTANTE
(Pitty)


Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres e outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se
curam
E essa abstinência uma hora vai passar...

COMO UM TROFÉU, NO MEIO DA BUGIGANGA


MUTANTE
(Rita Lee e Roberto de Carvalho)

Juro que não vai doer
Se um dia eu roubar
O seu anel de brilhantes
Afinal de contas dei meu coração
E você pôs na estante
Como um troféu
No meio da bugiganga
Você me deixou de tanga
Ai de mim que sou romântica!

Kiss baby, kiss me baby, kiss me
Pena que você não me kiss
Não me suicidei por um triz
Ai de mim que sou assim!

Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!

Kiss baby, kiss me baby, kiss me
Pena que você não me kiss
Não me suicidei por um triz
Ai de mim que sou assim!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

AMOR E ÓDIO

Onde aprender a odiar para não morrer de amor?

Clarice Lispector

VERMELHO CARMIM ESCARLATE

De Elisa Lucinda,
Safena


Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.

Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pintos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões

Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate

O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.

terça-feira, 8 de junho de 2010

TEXTO PARA UMA SEPARAÇÃO

De Elisa Lucinda,
Texto para uma separação

Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

CHICO BUARQUE


OUTRA NOITE
(Chico Buarque)

Outra noite
Outro sono
Como se eu sonhasse o sonho
De outro dono
Outro fumo, uma outra cinza
Outra manhã

Mordo a fruta
Outro é o sumo
Ando pela mesma casa
Com outro prumo
Outra sombra, outono
Chuva temporã

Será que já não vi
De modo impessoal
E em tempo diferente
Um dia estranhamente igual
Dias iguais
- Avareza de Deus
Passando indiferentes
Por estranhos olhos meus

Outros olhos
No teu rosto
Vou falar teu nome
E já teu nome é outro
Outra bruma
Sombra de outro sonho, alguém
Na manhã de junho
Outono, outubro, além

terça-feira, 1 de junho de 2010

A MÁGICA DO TEATRO MÁGICO



Realejo
Será que a sorte virá num realejo?
Trazendo o pão da manhã
A faca e o queijo
Ou talvez... um beijo teu
Que me empreste a alegria... que me faça juntar
Todo resto do dia... meu café, meu jantar
Meu mundo inteiro...
que é tão fácil de enxergar... E chegar
Nenhum medo que possa enfrentar
Nem segredo que possa contar
Enquanto é tão cedo
Tão cedo
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim
Será que a noite virá num vilarejo?
vejo a ponte que levará o que desejo
admiro o que há de lindo e o que há de ser... você
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim

"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem"

sábado, 22 de maio de 2010

SOBRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO - NUM POST BEM CONFUSO PARA QUEM LÊ E LIBERTADOR PARA QUEM ESCREVE

Algumas coisas permanecem eternas. Na lembrança, no cheiro, no gosto, no som... E quando essas lembranças nos roubam, mesmo que momentaneamente, a atenção e o pensamento, putz... a sensação é simplesmente maravilhosa. Essa noite sonhei com uma pessoa queridíssima. Uma pessoa que passou pela minha vida e que foi extremamente importante para mim, contribuiu para que eu me tornasse o que sou hoje e continua me ensinando, mesmo que à distância. É tão bom sentir saudade e lembrar com carinho das pessoas que cruzaram nosso caminho e nos fizeram bem... E quando essa saudade é correspondida é melhor ainda! Saber que existe alguém, cuja distância física não prejudica o sentimento de carinho e o bem querer é uma coisa para se dar valor...

Tenho passado por momentos difíceis, muito complicados mesmo. Porém, desde o começo desse mês, este é o meu momento atual: um tempo de mudanças. Mudanças afetivas, de visões, de perspectiva, de pensamento... Mudanças que vão me dar material suficiente e base sólida para continuar nessa caminhada louca chamada vida, que a gente insiste em levar às vezes "na flauta", às vezes na ponta do lápis, às vezes com vendas nos olhos...

Como é bom estar aberta para o novo! É bom fazer planos e sorrir com o canto da boca quando a ideia encontra um sentimento e os dois, como em um casamento perfeito de interesses, se unem para a realização de um sonho. Tenho me sentido tão aberta nestes últimos dias. Com uma esperança toda boba, ainda tímida, mas prenhe de realização. É como se eu tivesse abrindo as mãos para deixá-las livres para o que há de vir. Nesses últimos tempos andei muito receosa do que poderia receber do mundo e da vida. Andei com medo mesmo do que poderia estar reservado para a minha pessoa. E então, ao invés de simplesmente deixar a vida correr e, sem pressa, ir conhecendo o que me era reservado, deixei a ansiedade tomar conta e tentei, em vão, prever e antecipar o que deveria receber com surpresa e felicidade. Não sei como permiti que minha vida chegasse a isso... Ou como não percebi o que estava fazendo com meu próprio sentimento.

Enfim... hoje estava lendo Rubem Alves e me deparei com a seguinte frase: a gente só encontra aquilo que busca. Meu deus! Eu sempre soube disso. Sempre! Porém, me parece que nos últimos tempos vendei meus olhos para tentar me enganar acerca de algumas buscas sem sentido que andava fazendo. Mas agora que as coisas estão passando, e eu já começo a enxergar um céu azul de outono e a sentir um ventinho gelado no rosto (mesmo que o outono tenha começado a exatamente um mês, mesmo sendo o outono minha estação preferida e, portanto, mesmo sendo muito estranho que não tenha reparado que a minha estação preferida já está acontecendo a um mês), concluo que não importa o que me aconteceu, ou o que fizeram comigo: nada disso importa quando sei que o que importa mesmo é o que vou fazer com o que fizeram comigo. Hoje estava indo trabalhar e pensei na seguinte questão: do que eu me arrependo? O que faria diferente nessa minha vida, se pudesse voltar atrás? Minha resposta foi instantânea e certeira: nada. Não faria nada diferente, nem mudaria nada. E só tenho essa certeza porque aprendi a transformar em aprendizado as cagadas que cometi, e as que cometeram comigo. E o "resto", é só alegria...

ps: a vida é muito generosa... basta que a gente sinalize pra ela quais nossos desejos, basta que a gente busque as preces certas para a nossa alma, a música certa para os nossos ouvidos, o sabor mais agradável para o nosso paladar, o exercício mais prazeroso para nossa máquina corporal e o amor certo para o nosso coração. Seguindo à risca nosso instinto e sendo fiéis aos sentimentos, encontraremos, sem sombra de dúvidas, com o nosso melhor e, consequentemente, com o melhor de nossas buscas e escolhas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

NUNCA MAIS NESTA VIDA

Texto de Miguel Falabella, publicado no jornal O Globo em 26/10/2000.

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